O fluxo de caixa na construção civil permite acompanhar as entradas e saídas de dinheiro e identificar períodos em que a construtora poderá enfrentar falta de recursos.
Mesmo com contratos fechados e valores a receber, a empresa pode ter dificuldades para pagar fornecedores, equipes e equipamentos caso os recebimentos não acompanhem os desembolsos da obra.
Para evitar esse problema, é necessário organizar as previsões financeiras e relacioná-las ao cronograma de execução. Entenda como fazer esse controle e quais erros podem comprometer o caixa da construtora.
O fluxo de caixa registra os valores que entram e saem da construtora em determinado período. Com essas informações, é possível acompanhar o saldo disponível e projetar os compromissos financeiros dos próximos meses.
Na construção civil, esse controle precisa considerar o andamento das obras e os prazos de pagamento previstos nos contratos.
Por exemplo, uma construtora pode ter:
Com saldo atual de R$ 50 mil, a construtora precisa pagar R$ 120 mil nas próximas duas semanas, mas só receberá R$ 200 mil em 45 dias. Faltam R$ 70 mil para cobrir esse intervalo.
Sendo assim, mesmo com receitas contratadas superiores às despesas, a empresa pode ficar sem dinheiro para cumprir os compromissos imediatos caso não tenha capital de giro suficiente.
Por isso, acompanhar apenas o faturamento não basta. É necessário saber quando os recursos estarão disponíveis e quais despesas deverão ser pagas em cada período.
Para estruturar o fluxo de caixa na construção civil, a construtora precisa organizar as informações financeiras e relacioná-las às etapas de execução.
Registre os recebimentos de clientes, adiantamentos contratuais, parcelas de contratos e outras fontes de recursos.
Considere os prazos de medição, aprovação, faturamento e pagamento.
Um serviço executado não significa dinheiro disponível imediatamente. Por isso, é importante registrar quando cada valor deverá entrar no caixa.
A seguir, você pode encontrar uma tabela que pode ser utilizada como referência.
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Mês
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Entradas (R$) | Saídas (R$) | Saldo do mês (R$) | Saldo acumulado (R$) |
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Janeiro
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80.000,00 | 70.000,00 | +10.000,00 | 40.000,00 |
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Fevereiro
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90.000,00 | 100.000,00 | -10.000,00 | 30.000,00 |
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Março
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70.000,00 | 110.000,00 | -40.000,00 | -10.000,00 |
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Abril
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120.000,00 | 90.000,00 | +30.000,00 | 20.000,00 |
*Valores fictícios para fins ilustrativos.
** Valor inicial do caixa: R$: 30.000,00
Inclua os gastos previstos com materiais, mão de obra, tributos, serviços terceirizados, transporte e equipamentos.
Nem todos os gastos de uma obra estão diretamente ligados à execução de um serviço.
Despesas com a equipe de administração, aluguel do escritório, contabilidade, energia elétrica, água, seguros, segurança do canteiro e manutenção de instalações provisórias também precisam entrar no planejamento financeiro.
Considere quando cada material ou serviço será necessário e as condições de pagamento negociadas.
Uma concretagem prevista para março, por exemplo, pode exigir desembolsos antes, durante ou depois dessa etapa.
Defina uma reserva financeira compatível com os riscos da obra.
Considere possíveis atrasos nos recebimentos, reajustes de materiais e despesas não previstas.
Acompanhe o fluxo de caixa previsto (ou projetado), que reúne as entradas e saídas estimadas, e compare com o fluxo de caixa realizado, que registra os valores efetivamente recebidos e pagos.
Essa comparação ajuda a identificar diferenças entre o planejamento e a realidade financeira da obra. Assim, é possível ajustar as previsões e antecipar a falta de recursos que poderia comprometer a execução dos serviços.
Em muitos contratos de construção civil, a contratante retém um percentual do valor de cada medição como garantia do cumprimento das obrigações contratuais.
A liberação desse valor ocorre conforme as condições previstas no contrato, muitas vezes após a conclusão ou entrega da obra.
Considere, portanto, as retenções no planejamento do fluxo de caixa. Afinal, a empresa precisa manter os pagamentos de mão de obra, materiais e fornecedores, mesmo sem receber imediatamente o valor integral dos serviços executados.
Algumas falhas dificultam a previsibilidade financeira e podem comprometer o andamento das obras:
Sobre o último ponto, quando a construtora reúne as entradas e saídas de diferentes obras em um único controle, fica mais difícil identificar quais projetos geram despesas maiores que o previsto ou apresentam falta de recursos.
Por isso, crie um centro de custo para cada obra, registrando separadamente receitas, despesas e pagamentos.
Além disso, utilize o boletim de medição de obra para acompanhar os serviços executados e os valores a receber, facilitando o controle financeiro de cada projeto.
Evitar dificuldades financeiras exige alinhar compras, contratações e pagamentos às necessidades de cada etapa.
Algumas medidas ajudam a manter esse controle:
A falta de equipamentos ou o dimensionamento inadequado também pode provocar atrasos que afetam o planejamento financeiro.
Os elevadores de cremalheira, por exemplo, auxiliam no transporte vertical de pessoas e materiais, reduzindo gargalos logísticos que podem provocar atrasos e aumentar os custos da obra.
Planejar a disponibilidade desses equipamentos conforme o cronograma ajuda a manter a execução alinhada às previsões financeiras.
A escolha e o planejamento dos equipamentos influenciam os custos de execução da obra. Uma contratação antecipada, por exemplo, pode gerar despesas em um período no qual o equipamento ainda não será utilizado.
Por outro lado, a falta de equipamentos adequados pode comprometer a produtividade e provocar atrasos que aumentam os gastos com mão de obra.
Na movimentação vertical de materiais, as minigruas para obra podem agilizar o transporte de cargas e reduzir a necessidade de movimentação manual, conforme as características da operação.
Para avaliar esse investimento, a construtora deve considerar o período de utilização, o custo total do equipamento e o impacto esperado na produtividade.
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O faturamento representa o valor das vendas ou dos serviços faturados pela construtora. Já o fluxo de caixa registra o dinheiro que efetivamente entra e sai da empresa.
O ideal é registrar as movimentações diariamente e revisar as projeções pelo menos uma vez por semana.
Dessa forma, a construtora consegue acompanhar pagamentos, recebimentos e possíveis atrasos, além de antecipar períodos de falta de recursos.
O cálculo consiste em somar o saldo disponível no início do período às entradas de dinheiro e subtrair as saídas.
O fluxo de caixa previsto ou projetado apresenta os valores que a construtora espera receber e pagar nos próximos períodos.
Já o fluxo de caixa realizado mostra as movimentações que realmente aconteceram. Comparar os dois permite identificar atrasos, despesas inesperadas e diferenças em relação ao planejamento.
O boletim de medição de obra registra os serviços executados e seus respectivos valores. Com essas informações, a construtora consegue acompanhar os valores a faturar e estimar os recebimentos conforme os prazos contratuais.
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