O boletim de medição de obra registra os serviços executados, seus quantitativos e os valores correspondentes. Com esse documento, engenheiros e gestores acompanham o avanço físico da construção e conferem os valores que deverão ser pagos.
Uma medição incorreta, porém, pode gerar cobranças indevidas, divergências contratuais e dificuldades no controle de custos.
Por isso, é importante adotar critérios claros de medição, manter os registros atualizados e conferir os serviços executados. Neste artigo, você vai entender como elaborar o documento e evitar os erros mais comuns.
O boletim de medição de obra é um documento técnico que reúne as quantidades de serviços efetivamente executados em determinado período.
O documento comprova o andamento das atividades e ajuda a construtora a:
Vale pontuar que a medição de obra costuma ocorrer mensalmente ou a cada 15 dias, conforme o contrato.
O engenheiro da empresa contratada registra os serviços executados, enquanto o fiscal da contratante confere as informações e aprova a medição para dar continuidade ao processo de pagamento.
Em obras públicas, a medição dos serviços executados deve seguir os critérios estabelecidos no contrato e as disposições da Lei nº 14.133/2021, que regulamenta as licitações e os contratos administrativos.
Para permitir a conferência dos serviços e dos valores, o boletim precisa reunir informações técnicas, financeiras e registros que comprovem a execução.
A tabela abaixo apresenta os principais dados que devem constar no documento.
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Informação
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O que deve constar |
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Identificação
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Nome da obra, contrato, empresa responsável e período da medição. |
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Descrição dos serviços
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Atividades previstas na planilha contratual. |
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Unidades de medida
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m², m³, metros lineares ou unidades. |
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Saldo a executar
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Quantidades contratadas, executadas no período e acumuladas. |
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Valores
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Preços unitários e totais correspondentes. |
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Evidências
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Registros fotográficos, memórias de cálculo e outros comprovantes. |
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Validação
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Identificação e aprovação dos responsáveis. |
A elaboração exige organização, conferência dos serviços realizados e atenção aos critérios estabelecidos no contrato.
Antes de iniciar a medição, verifique a planilha orçamentária e as condições contratuais. Identifique os serviços previstos, os preços unitários, as unidades de medida e os critérios de pagamento.
Confira também possíveis aditivos contratuais e alterações de escopo. Essa verificação evita a medição de serviços não autorizados ou a utilização de valores desatualizados.
Verifique em campo quais serviços foram executados durante o período de medição. Registre as quantidades e confira as unidades de medida previstas no contrato.
Essa etapa evita incluir serviços ainda não realizados ou registrar quantidades diferentes das efetivamente executadas.
Também é importante conferir os quantitativos acumulados para não contabilizar novamente serviços já medidos em períodos anteriores.
Abaixo, você pode conferir um modelo de boletim e adaptá-lo à necessidade e às condições da obra.
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Serviço
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Contratado | Medido no período | Acumulado | Saldo a executar | Valor do período |
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Escavação (m³)
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500 | 100 | 350 | 150 | R$ 8.000,00 |
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Concretagem (m³)
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200 | 40 | 120 | 80 | R$ 24.000,00 |
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Alvenaria (m²)
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1.000 | 200 | 650 | 350 | R$ 18.000,00 |
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Revestimento (m²)
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800 | 150 | 300 | 500 | R$ 12.000,00 |
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Total
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- | - | - | - | R$ 62.000,00 |
*Valores fictícios para fins ilustrativos.
Multiplique os quantitativos executados e aceitos pelos preços unitários previstos no contrato.
Por exemplo, se a equipe executou 150 m² de revestimento, com preço contratado de R$ 75/m², o valor correspondente será de R$ 11.250.
O SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) oferece referências de custos de materiais, mão de obra e serviços.
Essas informações podem auxiliar na elaboração de orçamentos e na análise de preços, considerando a região e a data de referência. Entretanto, o cálculo da medição deve seguir os preços e critérios estabelecidos contratualmente.
Analise os resultados da medição em relação às metas do cronograma físico-financeiro.
Por exemplo, se o planejamento previa executar 500 m² de alvenaria, mas a equipe concluiu apenas 350 m², o avanço atingiu 70% da meta prevista para o período.
Nesse caso, investigue possíveis causas, como falta de materiais, baixa produtividade ou dificuldades logísticas.
Entre as causas mais comuns está o transporte vertical de materiais, que pode virar gargalo quando a obra não conta com equipamentos adequados à demanda.
Organize os documentos que comprovam os serviços executados, incluindo fotografias, memórias de cálculo, relatórios de campo, registros de inspeção e o Relatório Diário de Obra (RDO).
Em seguida, confira os quantitativos, os valores e os critérios contratuais. Após essa verificação, encaminhe o boletim aos profissionais responsáveis pela conferência e aprovação.
Algumas falhas comprometem o controle físico-financeiro:
Para evitar esses problemas, a equipe deve padronizar os registros, conferir os quantitativos e validar as informações do boletim de medição de obra antes da aprovação.
Quando o levantamento aponta uma execução abaixo do previsto, também é necessário investigar o que está comprometendo o andamento dos serviços.
Na execução de fachadas, por exemplo, dificuldades de acesso às frentes de trabalho podem reduzir a produtividade. O uso de balancins elétricos adequados à atividade pode facilitar o deslocamento vertical das equipes e contribuir para o avanço dos serviços.
Embora sejam utilizados em conjunto, os documentos têm funções diferentes:
Por exemplo, o cronograma prevê a conclusão de 50% da estrutura até determinado mês. Entretanto, a medição comprova apenas 35%.
Essa diferença indica a necessidade de avaliar o planejamento, os recursos disponíveis e a produtividade das equipes.
Portanto, os dois documentos se complementam: enquanto o cronograma estabelece as metas, o boletim de medição de obra permite acompanhar o que foi efetivamente executado.
O boletim de medição mostra quanto a obra avançou em determinado período. Quando os resultados ficam abaixo do planejado, é importante avaliar os fatores que estão dificultando a execução.
A movimentação de materiais, o acesso às fachadas e o escoramento das estruturas, por exemplo, dependem de equipamentos adequados às necessidades de cada etapa.
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Geralmente, o engenheiro responsável pela empresa contratada e o fiscal ou representante técnico da contratante. As assinaturas confirmam a conferência e a aprovação dos serviços medidos, conforme os critérios estabelecidos no contrato.
A medição costuma ocorrer mensalmente ou a cada 15 dias, dependendo das condições contratuais e do cronograma da obra. O objetivo é acompanhar os serviços executados e calcular os valores correspondentes a cada período.
Sim. Quando existem divergências nas quantidades, nos valores ou nos serviços registrados, a contratante ou a contratada pode solicitar uma revisão.
Nesse caso, documentos como fotografias, memórias de cálculo e o Relatório Diário de Obra (RDO) ajudam a esclarecer as diferenças.
O boletim de medição registra as quantidades de serviços executados e seus respectivos valores.
Já o diário de obra documenta as atividades realizadas diariamente, incluindo equipes, equipamentos, condições climáticas e ocorrências.
Assim, os dois documentos se complementam no controle da construção.
Não. O boletim registra e quantifica os serviços executados, servindo de base para a conferência e o faturamento. Já o comprovante de pagamento demonstra que a contratante efetivamente realizou o pagamento.
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