A armadura de arranque exposta exige atenção sempre que uma concretagem é interrompida ou o cronograma da obra muda.
Isso porque as barras que deveriam aguardar poucos dias podem permanecer semanas ou meses sujeitas à chuva, umidade e outros agentes do ambiente.
Nesse cenário, a pergunta não deve ser apenas “quanto tempo elas podem ficar assim?”, mas também: em quais condições essas barras podem ficar expostas antes de a obra recomeçar?
Afinal, a obra pode parar. A deterioração dos materiais, não necessariamente. Por isso, continue acompanhando o artigo até o final para saber o que a NBR 14931:2023 traz sobre o assunto.
As armaduras de arranque, também chamadas de barras de espera, são barras de aço posicionadas para permitir a continuidade e a ligação entre elementos estruturais executados em etapas diferentes.
Por isso, a exposição temporária das barras pode fazer parte do próprio processo construtivo, antes de se tornar um gargalo do processo construtivo.
O problema surge quando o período inicialmente previsto se prolonga devido a atrasos, mudanças de cronograma ou paralisações.
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Quando o aço permanece desprotegido, as condições do ambiente podem favorecer processos de corrosão. Quanto maior e mais agressiva for a exposição, maior deve ser o controle sobre o estado das barras.
Uma deterioração mais avançada pode trazer consequências como:
Ou seja: algo que não foi protegido durante a paralisação pode se transformar em uma nova etapa de trabalho na retomada, trazendo mais custos indiretos para a obra.
Não é adequado estabelecer um número universal de dias ou meses para uma armadura de arranque exposta. Tudo depende da Classe de Agressividade Ambiental (CAA).
Afinal, a corrosão não avança da mesma maneira em todos os canteiros. Umidade, chuvas frequentes, temperatura e presença de agentes agressivos influenciam as condições às quais o aço permanece submetido.
Ambientes marítimos ou industriais, por exemplo, podem apresentar agentes mais agressivos do que outras condições de exposição. No infográfico abaixo, você pode entender quais são as recomendações da NBR 14931:2023.

A inspeção visual é um dos primeiros passos para entender as condições das barras. Alguns sinais merecem atenção:
A preocupação com a corrosão, porém, não se limita às armaduras. Equipamentos e estruturas provisórias que permanecem expostos às condições do canteiro também precisam considerar esse risco.
É justamente por isso que soluções como os sistemas de escoramento galvanizados utilizam uma camada de zinco para proteger o aço contra a ação do ambiente, ampliando sua resistência à corrosão.
Se houver possibilidade de a armadura de arranque exposta permanecer nessa condição por mais tempo, a proteção precisa fazer parte do planejamento da paralisação.
Abaixo, conheça duas alternativas.
É uma solução de caráter provisório, mais adequada para interrupções de menor duração. A pasta pode ser pincelada ou projetada, cobrindo toda a região exposta da armadura.
A camada funciona como uma barreira temporária para reduzir a exposição direta do aço ao ambiente.
No entanto, antes de concretar, a nata deve ser completamente removida das barras, deixando a superfície limpa para não prejudicar a aderência ao novo concreto.
Outra possibilidade são produtos desenvolvidos especificamente para proteger armaduras, como revestimentos cimentícios modificados com aditivos poliméricos.
Depois de aplicados, eles criam uma barreira que reduz o contato do aço com umidade, oxigênio e outros agentes capazes de acelerar a corrosão.
O procedimento envolve limpar previamente as barras para retirar materiais que prejudiquem a aderência do revestimento.
Dependendo do produto, o processo pode exigir duas ou três demãos cruzadas, com intervalo mínimo de 3 horas entre as aplicações. Nesse método, cada nova camada é aplicada em direção diferente da anterior.
Também é importante evitar improvisos. Zarcão, óleo diesel, óleo de cozinha e graxa não devem ser utilizados como proteção das barras.
Cronogramas podem mudar, mas o controle sobre o canteiro precisa continuar.
Uma armadura de arranque exposta, esquecida durante uma paralisação, exemplifica bem esse risco: uma situação aparentemente pequena pode resultar em inspeções adicionais, correções, retrabalho e atrasos.
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